In EXPO PRESENTE

Altina Martins

Narval

Inauguração: 8 junho, das 18h às 20h
Exposição: de 9 junho a 2 outubro  de 2022  | terça a domingo das 10h -17 h
Museu Nacional de História Natural e da Ciência da Universidade de Lisboa

Rua da Escola Politécnica, 56 Lisboa

Com a curadoria de Sofia Marçal e produção da Ocupart, nesta exposição Altina Martins apresenta uma obra escultórica, suspensa, que simboliza a coluna vertebral do Narval (Monodon monoceros
Linnaeus, 1758).

A partir da combinação  de materiais de origem animal, vegetal, mineral e artificial, a artista invoca no plano simbólico o reino animal, os ecossistemas naturais  e a necessidade da sua preservação.

Narval ou Unicórnio-do-mar é uma baleia que habita especialmente o oceano Ártico, sendo o macho portador de um dente que pode atingir três metros de comprimento.

O conjunto, tenture, de seis tapeçarias do século XV, La Dame à la Licorne (Museu de Cluny, Paris), representa os cinco sentidos e o amor ou compreensão aliados ao feminino, ao poder temporal e ao espiritual.

O chifre do unicórnio é representado simbolicamente pelo dente de narval.

No Museu de Cluny, em Paris, encontra-se em exposição um dente de Narval e explica a relação biunívoca desta lenda, metáfora ou facto.A escultura que apresento, uma tapeçaria que se expande através de materiais orgânicos e inorgânicos,  invoca o reino animal e o plano simbólico revelando que o masculino e o feminino, técnica e sensibilidade, ciência e arte, natureza e progresso, desejo e consciência, podem coexistir no mesmo corpo, espaço ou criação.

Esta composição lembra a necessidade de reconhecimento e preservação dos ecossistemas essenciais e da reinvenção de modos de vida em harmonia com o planeta.
A peça joga com as características dos materiais que, mediante a luz diurna ou a sua ausência, criam duas composições distintas e dois modos de ser fruída.Narval, tem a pele de cor cinzenta e branca, tal como o fio refletor utilizado para a elaboração do tecido  que o pretende representar no seu habitat.

O fio refletor quando iluminado pela luz incidente, reflete e espelha-se e a gradação de cinzentos alcança o branco em espelho-prata.O fio glow-in-the-dark, tal como o nome revela,  brilha no escuro e confere e ilustra o efeito dos ligamentos das vértebras de uma  coluna vertebral.

Altina Martins

Luanda, 1953. Vive e trabalha em Lisboa.

Artista cuja expressividade se desenvolve em torno da Tapeçaria, uma arte plural, que tendo tónica têxtil nos remete para o desenho, pintura, joalharia, escultura, encenação. Alberga todo o género de materiais, tudo é fibra, e através da plasticidade dos múltiplos filamentos orgânicos e inorgânicos,  combinam-se elementos votivos como índice, bibliografia. Aliam-se técnicas tradicionais criando cumplicidade com o nosso tempo de confluências e evolução que permitem rigor,  animam temáticas e é inesgotável a busca do visível e do indizível.

Protagonista da tapeçaria comtemporânea portuguesa –  aquela que foi desenvolvida a partir do final dos anos de 1960 pelo Grupo 3.4.5. (1978-2002) e pela Associação ARA (1975-1977), Altina Martins alia as técnicas tradicionais de tapeçaria e tecelagem a diversos materiais e objetos que convocam memórias dos espectadores e potenciam a criação de narrativas, em muitos casos criando trabalhos na fronteira com a escultura. A sua investigação centra-se na contínua experimentação das fibras, dos filamentos orgânicos e inorgânicos, e dos materiais tecnologicos funcionais e climatéricos.

Entre 1972 e 1975, Altina Martins fez o curso de Design no Centro de Arte e Comunicação Visual (Ar.Co), em Lisboa. Em 1978/1979, investigou métodos naturais de tecelagem e tintagem nas regiões de Coimbra, Minho e Trás-os-Montes como bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian e em 1982/1983, realizou um estágio de pesquisa de Tecelagem Tradicional, em Benares, na Índia. Em 1995/1996, a artista fez uma especialização em Tapeçaria de Alto-Liço, na Manufacture Nationale des Gobelins, em Paris, novamente como bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian.  Em 1998/1999, lecionou o curso de Tecelagem, Fiação e Tinturaria Natural, no Museu Nacional do Traje, Lisboa. Foi Professora do Setor Têxtil da Escola Secundária Artística António Arroio, em Lisboa, de 1988 a 2021 e tem participado em vários eventos de formação e reflexão sobre a tapeçaria contemporânea.

Altina Martins expõe com regularidade desde 1972, destacando-se as exposições individuais: “Foz Côa e Jóia Têxtil”, Museu Nacional do Traje, 2010;  “Pátria Mundo”, no Museu Nacional do Traje, Lisboa, 2000 com itinerancia por todo o país, durante sete anos, ; as exposições colectivas: “Entretecido / Interlace”, Pavilhão Branco, Museu de Lisboa, 2021, a “15ª Exposição Internacional da Trienal de Tapeçaria”, Lodz, Polónia, 2016,  “Les Fils du Temps”, Salon des Femmes Peintres et Sculpteures, Grand Palais, Paris, 1989, a “Exposição comemorativa do 10º aniversário do Grupo 3.4.5.”, na Sociedade Nacional de Belas Artes, Lisboa, 1989,  a Exposição Internacional de Mini-Tapeçaria, Melbourne, Austrália, 1988 e a “III Mostra de Artes Plásticas”, Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 1986.

 
Narval, 2022 (detalhe)

Vidro soprado, conchas de lingueirão ( solen marginatus), mosquetão e fios de papel, seda, glow-in-the-dark, refletor, prata de lei e prata dourada | Blown glass, razor clam shells ( solen marginatus), carabiner and paper threads, silk, glow-in-the-dark, reflector, sterling silver and gilt silver. 

Face A - 124 cm / 250 cm / 30 cm aprox.

Face B - 14 cm / 350 cm aprox.